Trabalhe 4 Horas por Semana - Timothy Ferriss - 01.02.2017 - Quarta


*Trabalhe 4 Horas por Semana - Timothy Ferriss - 01/02 - Quarta*

*Uma dúzia de bolinhos e uma pergunta*

"Amor impetuoso não é indústria."
SÊNECA

Mountain View, Califórnia

"Minhas folgas são aos sábados", eu ofereci para a multidão de estranhos que me encarava, amigos de um amigo. Era verdade. Você consegue comer sucrilhos e frango sete dias por semana? Eu também não. Não sejam tão críticos.

Entre meu décimo e meu duodécimo bolinho, larguei-me no sofá para curtir o nível alto de açúcar até que o relógio batesse meia-noite e me mandasse de volta para minha "dieta dos adultos" de domingo a sexta. Havia outro convidado da festa sentado próximo a mim numa cadeira, segurando um copo de vinho, não seu duodécimo, mas certamente não seu primeiro, e começamos a conversar. Como de praxe, tive que enfrentar a pergunta "O que você faz?" e, como de praxe, minha resposta deve tê-lo feito pensar se eu era um mentiroso patológico ou um criminoso.

Como era possível gastar tão pouco tempo gerando renda? É uma boa pergunta. É A pergunta.

Em quase todas as áreas, Charney tinha tudo. Tinha um casamento feliz, um filho de 2 anos e outro previsto para nascer em três meses. Era um vendedor bem-sucedido de tecnologia e, ainda que quisesse ganhar mais meio milhão de dólares por ano, como todos querem, suas finanças eram sólidas.

Além disso, ele fazia boas perguntas. Eu tinha acabado de voltar de outra viagem pelo mundo e planejava uma nova aventura no Japão. Ele me perseguiu por duas horas com um refrão: Como é possível gastar tão pouco tempo gerando renda?

"Se você estiver interessado, posso fazer de você um caso de estudo e mostrar-lhe como", ofereci. Charney aceitou. A única coisa que ele não tinha era tempo.

Um e-mail e cinco semanas de prática depois, Charney tinha boas notícias: tinha conseguido vender mais na última semana do que nas quatro anteriores juntas. Fez isso ficando sem trabalhar na segunda e na sexta e passando pelo menos duas horas por dia a mais com sua família. De 40 horas por semana, ele passou a trabalhar 18 e a produzir quatro vezes mais.

Algum retiro nas montanhas ou algum treinamento secreto de kung fu? Não. Foi algum segredo japonês de gerenciamento ou algum software novo? Também não. Simplesmente pedi a ele para fazer uma única coisa simples, consistentemente, sem falhar.

Pelo menos três vezes por dia, em horas previamente agendadas, ele tinha que fazer a si mesmo a seguinte pergunta:

*Estou sendo produtivo ou somente ativo?*

Charney entendeu a essência disso com palavras menos abstratas: Estou inventando coisas para fazer para evitar o importante?

*_Ele eliminou todas as atividades que usava como muletas e começou a concentrar-se em mostrar resultados em vez de mostrar dedicação._* Dedicação é comumente trabalho inútil disfarçado. Seja impiedoso e corte o inútil.

É possível conseguir seus bolinhos, e comê-los.

*Perguntas e ações*

"Criamos estresse para nós mesmos porque sentimos que precisamos fazê-lo. Você precisa fazê-lo. Eu não sinto mais isso."
OPRAH WINFREY, atriz e apresentadora,
The Oprah Winfrey Show

O segredo de ter mais tempo é fazer menos coisas; há dois modos de chegar lá, e ambos devem ser usados juntos:

*_(1) definir uma breve lista de coisas a fazer _*
*_(2) definir uma lista de coisas para não fazer._*

Aqui há vários casos hipotéticos que nos ajudarão a começar:

*1. Se você tivesse um ataque cardíaco e só pudesse trabalhar duas horas por dia, o que faria?*

Não cinco horas, não quatro horas, não três – apenas duas horas. Não é onde quero que você chegue, mas é um começo. Além disso, posso ouvir seu cérebro já resmungando: isso é ridículo. Impossível. Eu sei, eu sei. Se eu lhe dissesse que você pode sobreviver por meses a fio, funcionando razoavelmente bem, com quatro horas de sono por noite, você acreditaria em mim? Provavelmente não. Entretanto, milhões de mulheres recém-mamães fazem isso o tempo todo. Esse exercício não é opcional.

O médico o avisou, depois de três pontes de safena, que, se não reduzir seu trabalho a duas horas diárias nos três meses de pós-operatório, você vai morrer. Vai cortar?

*2. Se você tivesse um segundo ataque cardíaco e só pudesse trabalhar duas horas por semana, o que faria?*

*3. Se você tivesse uma arma apontada para sua cabeça e tivesse que parar de fazer 4/5 das diferentes atividades que mais consomem seu tempo, o que removeria?*

Simplicidade exige impiedade. Se você tivesse que parar com 4/5 das atividades que mais exigem tempo – e-mail, telefonemas, conversas, burocracia, propaganda, clientes, fornecedores, produtos, serviços, etc. –, o que eliminaria, mantendo em níveis mínimos o impacto negativo sobre as receitas?

*4. Quais são as três principais atividades que uso para preencher o tempo para me sentir como se estivesse sendo produtivo?*

Essas são as atividades normalmente usadas para adiar as ações mais importantes (frequentemente desconfortáveis porque há uma chance de falha ou rejeição). Seja honesto com você mesmo, como todos fazemos nessa ocasião. Que muletas você usa?

*5. Aprenda a perguntar-se: "Se essa for a única coisa que eu fizer hoje, ficarei satisfeito com meu dia?"*

Nunca chegue ao seu escritório, ou a frente do seu computador, sem uma lista clara de prioridades. Você apenas lerá e-mails irrelevantes e bagunçará seu cérebro pelo resto do dia. Compile sua lista de coisas a fazer amanhã impreterivelmente até hoje de noite. Não recomendo usar o Outlook ou listas computadorizadas, porque é possível acrescentar um número infinito de itens. Eu uso uma folha de papel dobrada três vezes, que cabe perfeitamente no bolso e limita o espaço a apenas alguns poucos itens.

Nunca deve haver mais de dois itens críticos para se fazer a cada dia. Nunca. Não é necessário se eles realmente forem de alto impacto. Se você estiver com dificuldades para decidir entre vários itens, todos eles parecendo cruciais, como acontece com todos nós, olhe para um de cada vez e pergunte-se: "Se essa for a única coisa que eu fizer hoje, ficarei satisfeito com meu dia?"

Para evitar o aparentemente urgente, pergunte-se: "O que acontecerá se eu não fizer isto, e vale a pena deixar de lado algo importante para fazê-lo?". Se você não realizou sequer uma tarefa importante no dia, não gaste sua última hora útil para levar um DVD na locadora e evitar uma multa de 5 dólares. Faça a tarefa importante e pague a multa de 5 dólares.

*6. Coloque um post-it no monitor do seu computador ou crie um lembrete no Outlook para alertá-lo, pelo menos três vezes por dia, com a pergunta: _"Você está inventando coisas para evitar o que é importante?"_*

*7. Não faça várias coisas ao mesmo tempo.*

Vou dizer algo que você já sabe. Tentar escovar os dentes, falar ao telefone e responder e-mails ao mesmo tempo não dá certo. Comer enquanto faz uma pesquisa na Internet e conversa via comunicador instantâneo? Idem.

Se você priorizar suas atividades corretamente, não há necessidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Isso é um sintoma da "síndrome da tarefa" – fazer mais coisas para se sentir produtivo, ao passo que conclui menos coisas importantes.

*Repetindo:* você deve ter, no máximo, dois objetivos primários por dia. Faça-os separadamente do início ao fim, sem distração. Dividir sua atenção resultará em interrupções mais frequentes, lapsos na concentração, resultados inferiores e gratificações menores.

*8. Use a Lei de Parkinson em esferas macro e micro.*

Use a Lei de Parkinson para realizar mais coisas em menos tempo. Encurte seus prazos para forçar uma concentração maior e evitar a procrastinação.

Em uma esfera macro – semanal e diária –, tente ir embora do escritório por volta de 4 da tarde e tirar a segunda e/ou a sexta-feira de folga. Isso o forçará a priorizar algumas atividades e possivelmente desenvolver uma vida social. Se você está sob o olhar atento de um patrão, discutiremos formas de escapar em capítulos posteriores.

Em uma esfera micro, das tarefas, limite o número de itens em sua lista de coisas a fazer e use prazos impossivelmente curtos para forçar a ação imediata e ignorar minúcias irrelevantes.

*Desafiando o conforto*

Aprenda a propor (2 dias)

Pare de pedir opiniões e comece a propor soluções. Comece com coisas pequenas.

Se alguém vai perguntar, ou pergunta: "Onde vamos comer?". "Que filme deveríamos ver?" "O que vamos fazer hoje a noite?" ou algo similar, NÃO responda com "Bem, o que você quer fazer...?". Ofereça uma solução. Pare com as idas e vindas e tome uma decisão. Pratique isto nos meios profissional e pessoal. Eis aqui uma pequena lista de frases que podem ajudar (minhas favoritas são a primeira e a
última):

"Posso dar uma sugestão?"
"Proponho..."
"Gostaria de propor..."
"Sugiro que... o que você acha?"
Vamos tentar... e depois a gente tenta outra coisa se não der certo."

*A dieta pobre em informação*

*Cultivando ignorância seletiva*

"O que a informação consome é bastante óbvio: consome a atenção do receptor. Daí, uma riqueza de informação cria uma pobreza de atenção e uma necessidade de alocar eficientemente a atenção em meio a uma superabundância de fontes de informação que podem consumi-la.
SÊNECA (4 a.C.-65 d.C.)

"Tenho a noção de que aparentemente ricos, mas terrivelmente empobrecidos — mais do que qualquer outra classe —, que acumularam entulho, mas não sabem como usá-lo ou como se livrar dele, e que ainda por cima forjaram seus próprios grilhões dourados ou prateados."
HERBERT SIMON, vencedor do Prêmio Nobel de Economia1
e do A. M. Turing Award, o "Prêmio Nobel da Ciência da Computação"

"Ler, depois de uma certa idade, diverte a mente muito além do seu potencial criativo. Qualquer homem que leia muito e use pouco seu próprio cérebro cai em hábitos preguiçosos de pensar."
ALBERT EINSTEIN

Espero que você esteja sentado. Tire o sanduíche da boca para não engasgar. Tape os ouvidos das crianças. Eu vou lhe dizer algo que aborrece muitas pessoas.

Nunca assisti ao noticiário e só comprei um único jornal nos últimos cinco anos, no Aeroporto de Stansted, em Londres, e apenas porque ele me dava desconto para comprar uma Pepsi Diet.

Eu até reivindicaria ser amish, mas da última vez que chequei, Pepsi não estava no cardápio.
Que obsceno! E ainda digo ser um cidadão informado e responsável? Como me mantenho atualizado sobre as coisas que estão acontecendo? Responderei tudo isso, mas espere – isso ainda fica melhor. Checo meus e-mails profissionais durante uma hora a cada segunda-feira, e nunca checo as mensagens de voz quando estou viajando. Nunca mesmo.

Mas e se alguém tiver uma emergência? Isso não acontece. Meus contatos agora sabem que não atendo a emergências, então as emergências de alguma forma não- acontecem ou não chegam até mim. Problemas, via de regra, resolvem-se sozinhos ou desaparecem caso você se elimine como gargalo de informação ou delegue poderes a outros.

*Cultivando ignorância seletiva*

"Há várias coisas em que um homem sábio gostaria de ser ignorante."
RALPH GUALDO EMERSON (1803-1882)

Deste ponto em diante, proporei que você desenvolva a incomun habilidade de ser seletivamente ignorante. A ignorância pode ser incrível, mas também é muito prática.

É imperativo que você aprenda a ignorar ou a redirecionar todas as informações e interrupções irrelevantes, desimportantes ou impraticáveis. A maior parte se enquadra nas três categorias.

O primeiro passo é desenvolver e manter uma dieta pobre em informações.

Assim como o homem moderno consome muitas calorias e também calorias de pouco valor nutritivo, quem trabalha com informação consome dados em excesso e das fontes erradas.

O Projeto de Vida é baseado em ações em massa – resultados. Elevar os resultados exige reduzir os esforços. A maior parte das informações gasta o seu tempo, é negativa, irrelevante para seus objetivos e fora do seu âmbito de influência.

Desafio você a olhar para tudo o que leu ou a que assistiu hoje e me dizer qualquer coisa que não tenha pelo menos duas das quatro características apresentadas.

Eu leio as manchetes das primeiras páginas nas bancas de jornal enquanto caminho até o restaurante onde almoço, todos os dias, e nada mais. Em cinco anos, nunca tive um único problema por causa dessa ignorância seletiva. Você ainda ganha algo novo para perguntar ao resto da população no lugar da conversinha miúda: "E aí, o que está rolando no mundo?". E, se for tão importante, você vai ouvir as pessoas falando sobre isso.

Usando esse meu método de leitura indireta sobre o que acontece no mundo, ainda consigo reter mais informação do que alguém que perde a floresta para não perder as árvores, num oceano de detalhes irrelevantes.

Sob uma ótica da informação útil, consumo no máximo um terço de uma revista sobre indústria (a Response) e uma revista de negócios (Inc.) por mês, num total de aproximadamente quatro horas. Isso se chama leitura voltada para resultados. Ainda leio uma hora de ficção antes de ir para a cama, para relaxar.

Então como consigo agir com responsabilidade? Deixe-me oferecer um exemplo de como eu e outros NR analisamos e obtemos informação. Eu votei na última eleição presidencial, apesar de estar em Berlim. Tomei minha decisão em questão de horas. Primeiro, mandei e-mails para amigos nos Estados Unidos, com bom nível educacional, que tinham valores parecidos com os meus, perguntando a eles em quem votariam e por quê.

Segundo, julgo as pessoas baseado em suas ações, não em suas palavras; então, perguntei a amigos em Berlim, que tinham uma visão menos influenciada pela propaganda midiática americana, como eles julgavam os candidatos, com base em seu comportamento histórico. Por último, assisti aos debates da campanha. Foi assim. Deixei pessoas em quem confio sintetizarem centenas de horas e milhares de páginas de mídia para mim. Foi como ter dúzias de assistentes pessoais, e eu não tive que pagar sequer um centavo a eles.

Isso é apenas um exemplo, você pode dizer, mas e se você precisar aprender a fazer algo que seus amigos nunca fizeram? Como, por exemplo, vender um livro para o maior editor do mundo, sendo um autor de primeira viagem'? Que bom que você perguntou. Eis as duas abordagens que usei:

1. Peguei um entre dúzias de livros, baseando minha escolha pelas resenhas dos leitores e pelo fato de que outros autores já haviam feito o que eu queria fazer. Se o que se almeja é do tipo "como fazer algo", eu leio apenas relatos que sejam "como eu fiz isso", autobiográficos. Não vale a pena perder tempo com especuladores ou com postulantes.

2. Utilizando o livro para gerar perguntas inteligentes e específicas, contatei 10 dos principais autores e agentes no mundo via telefone e e-mail, com uma taxa de resposta de 80%.

Li apenas as partes do livro que eram relevantes para os passos imediatamente próximos, o que levou duas horas. Desenvolver um modelo de e-mail e de roteiro de conversa telefônica levou mais ou menos quatro horas, e os e-mails e telefonemas na prática levaram menos de uma hora. Essa forma de contato pessoal não só é mais eficaz e mais eficiente do que toneladas de informação, mas também me fez conseguir aliados de peso e mentores, necessários para conseguir vender este livro. Redescubra o poder da esquecida habilidade chamada "conversa". Ela sempre funciona.

*Novamente, menos é mais.*

*Como ler 200% mais rápido em 10 minutos*

*Até amanhã...*

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